I. Os blocos de construção
1. Transações
No modelo de Dalio, uma economia é apenas a soma de todas as suas transações. Uma transação é um comprador entregando dinheiro ou crédito a um vendedor em troca de bens, serviços ou ativos financeiros.
- Gasto total = dinheiro + crédito, não apenas dinheiro.
- O gasto de uma pessoa é a renda de outra.
- Mercados são todas as transações de uma mesma coisa (trigo, carros, ações) somadas.
Peça-chave
2. Crédito
No quadro de Dalio, o crédito é a parte mais importante e mais volátil da economia. Ele é criado no instante em que um credor e um tomador concordam, sem exigir poupança prévia no mesmo montante.
- No instante em que o crédito é criado, ele vira dívida: um ativo para o credor, um passivo para o tomador.
- Tomar emprestado permite gastar mais do que se ganha agora, em troca de gastar menos do que se ganha depois.
- Como o gasto gera renda, mais crédito significa mais gasto. Por isso, no modelo, o crédito faz a economia oscilar.
3. O banco central e o governo
Dois jogadores ficam acima da multidão no desenho de Dalio. O banco central controla a quantidade de dinheiro e crédito definindo juros e expandindo a base monetária. O governo central tributa, gasta e toma emprestado.
- Juros mais baixos barateiam o crédito e estimulam a atividade; juros mais altos a esfriam.
- Os movimentos deles são o que transforma oscilações comuns nos ciclos descritos a seguir.
II. As três forças
1. Crescimento da produtividade
No longo prazo, a produção cresce porque aprendemos. Produtividade (saber produzir mais com o mesmo esforço) é o que, no modelo, de fato eleva o padrão de vida.
No modelo, a produtividade importa mais no longo prazo e menos no curto, porque sobe devagar e de forma constante. Não é ela que causa os booms e busts. A dívida causa.
Cerca de 5 a 8 anos
2. O ciclo de dívida de curto prazo
Crédito barato alimenta um boom; o banco central o encerra. Quando o crédito é fácil, gasto e renda sobem mais rápido do que se produzem bens. Os preços sobem (inflação).
- Para combater a inflação, o banco central sobe os juros.
- Juros mais altos fazem menos gente poder tomar emprestado; os pagamentos da dívida sobem; o gasto cai.
- Como seu gasto é a renda de alguém, as rendas caem: uma recessão.
- O banco então corta os juros de novo, e um novo ciclo começa. No modelo de Dalio, isso se repete a cada 5 a 8 anos.
Cerca de 75 a 100 anos
3. O ciclo de dívida de longo prazo
Cada ciclo deixa um pouco mais de dívida para trás. Ao longo de décadas, o peso da dívida sobe mais rápido que as rendas porque tomar emprestado é agradável e todos (credores, tomadores, reguladores) ficam felizes em manter o jogo.
- Valores de ativos e dívida sobem juntos, formando uma bolha.
- Eventualmente os pagamentos da dívida ficam maiores do que as rendas conseguem sustentar.
- As pessoas vendem ativos para pagar, os preços caem, e o processo se inverte numa desalavancagem.
III. Desalavancagem e as alavancas
1. Desalavancagem vs. recessão
No modelo, uma recessão se resolve cortando juros. Uma desalavancagem não. Quando os juros chegam a 0% e a dívida ainda está alta demais, o banco central não consegue estimular pelo caminho normal, e as dívidas precisam cair.
Dalio nomeia quatro alavancas para reduzir o peso da dívida:
- Cortar gastos (austeridade): deflacionário e doloroso.
- Reduzir dívida via calotes e reestruturação: deflacionário e doloroso.
- Redistribuir riqueza dos que têm para os que não têm (impostos mais altos).
- Imprimir dinheiro: inflacionário e estimulante.
O objetivo no modelo
2. Uma desalavancagem “bonita”
Equilíbrio é tudo. Uma desalavancagem vai bem quando as alavancas deflacionárias (austeridade, calotes) são equilibradas contra a inflacionária (imprimir dinheiro), de modo que a dívida cai em relação à renda sem inflação descontrolada nem espiral deflacionária.
No modelo, a impressão de dinheiro precisa financiar gasto e crescimento do crédito, não só maquiar perdas. Feito certo, as rendas sobem mais rápido que a dívida e a economia se cura, devagar, ao longo de cerca de uma década.
IV. Três regras de bolso
As lições de Dalio
- Não deixe a dívida subir mais rápido que a renda O peso da dívida acabará por esmagar você.
- Não deixe a renda subir mais rápido que a produtividade Você fica caro demais e perde competitividade.
- Faça tudo o que puder para elevar a produtividade No longo prazo, é o que mais importa.
Material educacional. Não constitui recomendação de investimento, oferta de valores mobiliários nem aconselhamento personalizado.